A captação múltipla envolveu três equipes de profissionais e duas aeronaves da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), vinculada à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). A primeira aeronave decolou transportando o coração, enquanto a segunda levou as córneas, o fígado e os rins para unidades de saúde.


Ao todo, 15 profissionais, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, estiveram envolvidos nas captações. “Minha primeira captação de córnea foi uma experiência desafiadora, mas imensamente gratificante. Um momento que reforçou o verdadeiro sentido do cuidar e de transformar a dor em esperança”, destacou a enfermeira do HRVJ, Andresa Rodrigues de Oliveira, responsável pela primeira cirurgia.


O processo de doação e transplante de órgãos no Brasil é regido pelo princípio do anonimato, conforme estabelece o Decreto nº 9.175/2017, que regulamenta a Lei nº 9.434/1997 (Lei dos transplantes). A norma determina que, nos casos de doação pós-morte, seja resguardada a identidade dos doadores em relação aos receptores e dos receptores em relação às famílias dos doadores, sem exceções. A diretriz busca garantir a ética, a segurança e a credibilidade do sistema nacional de transplantes, além de orientar a comunicação institucional e a atuação da imprensa sobre o tema.
Essa garantia é reforçada pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei nº 13.709/2018) e constitui um dos pilares do sistema brasileiro de transplantes, contribuindo para a proteção da privacidade, a prevenção de qualquer forma de comercialização ou pressão indevida e o fortalecimento da credibilidade do processo junto à sociedade.
No Brasil, não é necessário deixar nenhum documento formal para ser doador de órgãos. O mais importante é conversar com a família e manifestar esse desejo em vida, pois são os familiares que autorizam a doação.
É possível doar órgãos e tecidos como coração, rins, fígado, pulmões, pâncreas, córneas, ossos e válvulas cardíacas, possibilitando que um único gesto beneficie diversos pacientes.