O treinamento em habilidades sociais no HSM tem sido um caminho de mais confiança, comunicação e independência para adultos com TEA
A vida adulta já traz desafios no convívio com outras pessoas, na comunicação e na adaptação a diferentes situações. Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), isso pode ser ainda mais difícil, principalmente na hora de conversar, entender expressões e perceber sinais sociais.
Com foco nesse público, o Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), disponibiliza o Ambulatório de Autismo para Adultos que oferece atendimento especializado e estratégias terapêuticas voltadas ao desenvolvimento da autonomia.
Entre as abordagens utilizadas, o treinamento em habilidades sociais tem se destacado como uma ferramenta importante para ajudar pacientes a lidar com situações cotidianas que exigem comunicação, interpretação e posicionamento social.
No ambulatório, os pacientes participam de atividades que trabalham competências como iniciar e manter conversas, reconhecer emoções, compreender regras sociais implícitas e lidar com conflitos.
Segundo o psicólogo Wesley Ramos, que atua no ambulatório, o objetivo é ampliar as possibilidades de interação sem descaracterizar a individualidade de cada paciente.
“Muitos adultos com autismo relatam dificuldades em situações que para outras pessoas parecem simples, como iniciar uma conversa, interpretar ironias ou sustentar interações em ambientes sociais. O treinamento em habilidades sociais oferece um espaço estruturado e seguro para que essas situações sejam compreendidas, ensaiadas e ressignificadas”, explica.
Ele destaca que o processo é construído de forma individualizada, respeitando as necessidades de cada paciente. “A proposta não é padronizar comportamentos, mas ampliar repertórios, fortalecer a autonomia e possibilitar que cada sujeito encontre formas mais funcionais e confortáveis de se relacionar com o mundo”, completa.
Ao investir no desenvolvimento de habilidades sociais, o hospital amplia o olhar sobre o autismo na vida adulta, promovendo não apenas o tratamento, mas também a inclusão social e a construção de uma rotina mais independente.
A iniciativa reforça a importância de reconhecer as necessidades específicas desse público e de oferecer suporte qualificado para que cada pessoa possa desenvolver seu potencial e viver com mais autonomia.
Ao longo do acompanhamento, muitos pacientes relatam redução da ansiedade social, melhora na autoestima e mais segurança para enfrentar situações do cotidiano. O comerciante Hudson Nathan, de 30 anos, que está em acompanhamento no ambulatório do HSM há mais de dois anos, conta que passou a compreender melhor suas dificuldades após iniciar o processo terapêutico.

“Já tenho diagnóstico de Transtorno de Déficit de Atenção e ansiedade generalizada. Quando descobri o TEA, decidi intensificar o tratamento participando deste treinamento, que vem me ajudando bastante”, afirma.
Ele destaca que, anteriormente, evitava conversar com as pessoas por medo de dizer algo inadequado ou de não compreender o que estava sendo dito. “Hoje, ainda enfrento dificuldades, mas já consigo me preparar melhor para iniciar um diálogo e até participar de conversas com meus familiares e no ambiente de trabalho. Antes, seria impossível eu aceitar dar esse depoimento”, relata.
O policial penal José Aílton dos Santos, de 56 anos, participa do treinamento pela primeira vez. Ele conta que teve uma infância difícil por não ter recebido o diagnóstico na época.

“Sofri muito bullying e carrego até hoje marcas emocionais que foram se acumulando ao longo da vida. Mas nunca é tarde para buscar ajuda. Hoje, participo de todos os projetos, iniciativas e tratamentos para aprender a conviver melhor com o transtorno”, afirma.
O Ambulatório de Autismo para Adultos do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto oferece acompanhamento com diferentes profissionais, como psicólogos e psiquiatras, além de atividades terapêuticas.
Para participar do Grupo de Habilidades Sociais, é necessário ter diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1 de suporte.
O acesso pode ser feito por duas formas: presencialmente, em que o paciente deve ir ao hospital, procurar a recepção e entregar o encaminhamento médico e aguardar o agendamento, ou pelo WhatsApp do ambulatório, enviando os dados pessoais e o encaminhamento para o número (85) 9 9168-1253.