Há números que contam histórias, e há datas que carregam significados especiais. O Dia Internacional da Síndrome de Down, comemorado neste sábado (21), nasceu desse encontro: 21/03, uma referência à trissomia do cromossomo 21, condição genética que caracteriza a Síndrome de Down, na qual a pessoa possui três cópias do cromossomo 21, em vez de duas. Mas, muito além da biologia, neste dia, celebramos a beleza da diversidade humana e a urgência de um mundo mais inclusivo.
Para contribuir para essa inclusão, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE), por meio da Companhia de Busca com Cães (CBCães) do Batalhão de Busca e Salvamento, mantém o projeto Cão Terapia, também chamada de Intervenção Assistida por Animais (IAA). No projeto, os cachorros atuam como mediadores e facilitadores no desenvolvimento das pessoas atendidas. Atualmente, cinco animais participam do projeto: as cadelas Diná, Brasa, Inês, Nala e Dora.

Entre os locais que recebem a iniciativa do CBMCE, está o Centro de Atendimento Educacional Especializado (Caeesp), no bairro Jacarecanga, em Fortaleza, que atende 390 crianças com deficiência, sendo 78 delas com síndrome de down. A diretora da entidade, Ana Cristina Moraes, afirma que a IAA traz mais leveza à rotina das pessoas assistidas. “Tem muita criança que tem pânico, outras são agressivas e, com os cães, elas ficam mais calmas”, observa. Para Ana Cristina, o principal benefício do projeto é a socialização. “Elas criam um vínculo de amizade com os cachorros impressionante, então, passam a ver também as outras pessoas de forma diferente, principalmente as crianças que são mais agressivas. É como se os animais treinassem as crianças para as relações com os seres humanos”, analisa.

O tenente Amaury Bezerra, comandante-adjunto da CBCães, explica que a interação com os cães fazem as crianças liberarem hormônios como a endorfina, que gera a sensação de bem-estar. Além disso, o projeto contribui para a dessensibilização das pessoas atendidas, que acabam superando o medo.
Mas os benefícios não ficam restritos às crianças atendidas: os animais também colhem vantagens no projeto. “Durante o atendimento, os cães acabam sendo treinados também. Eles se acostumam com as pessoas e com multidões, no processo de dessensibilização. E, como os nossos cachorros buscam pessoas, eles têm que gostar de pessoas”, afirma.

Entretanto, não são todos os cães que estão aptos a lidar com as crianças. O tenente Amaury ressalta que são selecionados aqueles que são mais dóceis e que gostam de interagir com crianças. “Não é simplesmente trazer o animal, é uma terapia assistida por animais. Tem todo um planejamento com a instituição e com o condutor do cão, pois temos que fazer parte também da programação da entidade”, acrescenta.

Maria Marino é mãe do Lucas Marino, de 19 anos, que tem síndrome de down, deficiência intelectual e autismo. Para ela, Lucas, que não fala, consegue se expressar melhor quando os cachorros estão presentes. “Ele já rompeu a barreira do medo, e nós percebemos pelo olhar dele, quase como se ele estivesse falando. É um projeto tão emocionante, tão bacana, que se fosse para pagar, eu pagaria. Mas realmente, não há dinheiro que pague ver essa evolução”, destaca.
Os órgãos que tiverem interesse em receber o projeto pode enviar e-mail para cbcaes@cb.ce.gov.br. Já quem quiser ajudar o Caeesp, pode entrar em contato com Ana Cristina, por meio do telefone (85) 98225.2061.